Análise dos princípios da química verde na radioiodação da metaiodobenzilguanidina em comparação com os princípios já adotados para proteção radiológica
DOI:
https://doi.org/10.15392/2319-0612.2026.2964Palavras-chave:
Química Verde, Proteção Radiológica, Radioiodação, MetaiodobenzilguanidinaResumo
Questões ambientais vêm direcionando atenção especial para métodos que promovam tratamentos adequados de descarte, uso de reagentes menos tóxicos e condições mais brandas nas rotas de síntese. A metaiodobenzilguanidina radioiodada (MIBG) é um radiofármaco de destaque na cintilografia diagnóstica e na terapia de tumores da crista neural, como feocromocitoma e neuroblastoma, além de contribuir para o prognóstico da integridade neuronal simpática após insuficiência cardíaca. Reações de halogenação que evitam substâncias tóxicas e condições perigosas geram compostos fundamentais para a indústria farmacêutica. Nesse contexto, a radioiodação é um exemplo específico de halogenação, essencial na síntese de radiofármacos — compostos radioativos empregados no diagnóstico e tratamento de doenças humanas. Do ponto de vista da química verde, a produção de MIBG radioiodada apresenta o desafio de priorizar o uso de substâncias inofensivas e de otimizar processos que minimizem o impacto ambiental, respeitando simultaneamente regulamentações nucleares, de proteção radiológica e farmacêuticas, embora, até o momento, tais processos pouco considerem uma abordagem ecológica. Este trabalho apresenta um estudo quantitativo da aplicação dos princípios da química verde aos métodos de radioiodação da MIBG. A conformidade com esses princípios foi expressa em porcentagem. Complementarmente, propõe-se uma análise qualitativa do alinhamento entre os princípios da proteção radiológica e os da química verde. A Química Verde baseia-se em 12 princípios: Prevenção; Economia Atômica; Sínteses Químicas Menos Perigosas; Desenho de Produtos Químicos Mais Seguros; Solventes e Auxiliares Mais Seguros; Eficiência Energética; Matérias-primas Renováveis; Redução de Derivados; Catálise; Desenho para Degradação; Análise em Tempo Real para Prevenção da Poluição; e Química Inerentemente Mais Segura. Este trabalho discute como cada princípio se relaciona com a radioiodação da MIBG, abordando também aspectos aplicáveis a radiofármacos em geral. Embora a produção da MIBG atenda integralmente aos requisitos farmacêuticos, atualmente cerca de 68 % dos princípios da química verde são contemplados. A incorporação de práticas sustentáveis representa o próximo passo na produção e controle de qualidade de radiofármacos, aliando segurança, eficácia e responsabilidade ambiental.
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